quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ciência Viva no Verão 2010 - Gruta Lapa das Pombas (Vídeo)



Pequeno vídeo feito pela Graça, captado por uma "velhinha" máquina fotográfica Fuji aquando da participação na actividade do Ciência Viva 2010 descrito na mensagem anterior. Esta gruta é do tipo algar, ou seja é uma gruta vertical, que é o tipo de cavidade mais vulgar em Portugal.

domingo, 8 de agosto de 2010

Ciência Viva no Verão 2010 - Os segredos geológicos da Arrábida

O Ciência Viva no Verão é um bom exemplo de dinheiro dos nossos impostos muito bem gasto. É uma excelente forma de por o cidadão comum em contacto com aspectos da ciência de uma forma lúdica (estamos no Verão) mas sem descurar o rigor científico da coisa. Sobretudo, sendo uma autêntica aula de campo, dá-nos uma visão totalmente diferente do que a mera aprendizagem teórica.
Desta vez, o primeiro domingo de Agosto foi escolhido para participarmos na saída intitulada "as grutas que escondem as águas subterrâneas da Serra da Arrábida", organizada pela SPE - Sociedade Portuguesa de Espeleologia.
 http://www.spe.pt/espeleologia/Accoes-de-Divulgacao/As-grutas-que-escondem-as-aguas-subterraneas-da-Serra-da-Arrabida.htm


O encontro do grupo participante deu-se no Castelo de Sesimbra às 10h00 da manhã, e após uma breve descrição dos aspectos geológicos da Serra da Arrábida e da sua envolvente, partimos em direcção ao Farol do Cabo Espichel. 

A partir do Farol seguimos um trilho relativamente acessível até ao Focinho do Cabo.


O cabo Espichel é daquelas falésias cuja imponência faz lembrar deuses mitológicos. Esta é uma vista que a maioria dos visitantes raramente tem.


No Focinho do Cabo, descemos até uma plataforma que fica a cerca de 30 metros acima do nível do mar. O percurso é um autêntico caminho de cabras.




Uma vista do cabo Espichel que impressiona pela sua imponência. Nesse dia, o mar estava estranhamente calmo. Em baixo um enorme cardume evoluía despreocupadamente, enquanto aguardávamos  para observar a Gruta da  Lapa da Pombas.


Desde a plataforma onde estávamos até chegar à boca da Gruta há cerca de uns 6 ou 7 metros de caminho talhado na rocha, que cai a pique sobre o mar. Pelo que foi necessário usarmos o equipamento de segurança adequado, para lá chegarmos tranquilamente. Para lá do rigor científico nas explicações, quero salientar a preocupação com a segurança que os responsáveis  da actividade demonstraram.


A Gruta da Lapa das Pombas é um enorme buraco na vertical com mais de 50 metros, em cuja base entram as águas do mar. A abertura na rocha que nos permite ver a gruta situa-se a cerca de 30 metros da base. 


O cabo Espichel já esteve debaixo de um mar relativamente pouco profundo. Neste foto  da Gruta da Lapa das Pombas podemos ver restos de areia de uma praia primitiva de quando o nível do mar começou a baixar. 


À entrada da gruta podemos ver estes enormes blocos de rocha cuja forma arredondada mostra que já estiveram cobertos por água.


Um outro aspecto da entrada da Gruta da Lapa das Pombas. Mais acima fica uma outra gruta - a Furna dos Segredos.


O acesso à gruta da Lapa das Pombas requerer algum esforço físico, sobretudo para quem está em baixo de forma como eu. Mas faz-se em total segurança, apesar de não ser aconselhável para quem tem vertigens.


Aspecto do percurso talhado na rocha, com o mar trinta metros abaixo.


O pior mesmo foi a subida de volta até ao Farol do cabo Espichel. Com o calor  e o esforço da subida, soube bem descansar um pouco antes de continuar.



Nesse dia o mar estava com um azul mais azul. A temperatura por volta das 14h00 já passava do trinta graus.

Depois de um breve período de almoço (comemos umas sandes no Parque Ambiental do Alambre), subimos até à Terra do Risco para observarmos sumidouros - buracos onde a água se infiltra na terra e se escoa por cavidades subterrâneas até chegar ao mar.


A caminhada na Terra do Risco foi acessível, mas um pouco dificultada pelo enorme calor daquela tarde soalheira de domingo.



Aspecto de um sumidouro semi-artificial. Devido às características cársicas do subsolo,  a água das chuvas infiltra-se e vai percorrer aquíferos subterrâneos de percurso variável até chegar ao mar.



A parte final da actividade consistiu em descer pelo leito de um ribeiro seco até uma plataforma donde se pode ver a entrada da Gruta dos Morcegos, uma das nascentes naturais das águas subterrâneas da Arrábida. Pelo caminho pudemos admirar os aspectos da vegetação mediterrânica tão típica desta serra.



Só quando nos embrenhamos na vegetação densa é que temos bem a noção que aquilo parece mais uma selva mediterrânica.

Parte final do percurso junto ao mar. Não fosse alguém (os monitores) saber o trilho e era mesmo complicado chegar lá, dado a quantidade de rochas que tivemos de contornar e, nalguns casos, escalar.
O pior foi mesmo a subida.


Chegados à plataforma, soube mesmo bem o descanso e relaxar a vista para o azul da paisagem.



Esta zona da Arrábida é simplesmente magnífica. Parece que estamos num outro mundo, completamente afastados da civilização.


Aspectos geológicos da parede da cavidade onde descansamos.


Não fosse estarmos  a uns vinte e tal metros da água, teríamos ido dar um mergulho nestas águas de um azul marinho intenso e cheias de peixes.


Aspecto da falésia por cima da Gruta dos Morcegos.

A entrada da Gruta dos Morcegos. A gruta é acessível por mar ou descendo por cordas do sítio donde nos encontrávamos. Quando a maré sobe, há zona da gruta que ficam inundadas. Tem o nome devido a uma grande colónia de morcegos, que infelizmente está em declínio. Nas rochas,  à esquerda, podemos ver um grupo de corvos marinhos, cujos voos rasantes sobre o mar (que observamos) são espectaculares. 


Da Gruta dos Morcegos regressámos às Terras do Risco, uma subida que me custou um pouco, devido ao calor e à minha manifesta forma física imprópria para este tipo de actividades (a Graça está bem melhor).
Mais uma vez os meus parabéns à forma como foi organizada pela SPE.

O dia não acabou sem irmos dar um mergulho à Praia da Rainha na Costa, para refrescar.

E também para observar mais um magnífico por-do-Sol, numa altura em que na praia só já estamos nós e as gaivotas.