segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Praia do Magoito

No dia dos meus anos, fomos almoçar, mais uma vez, ao restaurante Angra na Praia Grande, em Colares. Claro que nesta altura do ano, é normal haver muita ondulação. Isso não impede algumas dezenas de surfistas de procurarem esta praia para practicarem.


Este enorme rochedo, que separa a Praia Grande da Praia da Adraga,  é ex-libris da praia. À esquerda existe um prercurso pedonal em escadas que nos leva ao topo. Existem nessas rochas pegadas de dinossauro que são facilmente observáveis até da própria praia.


Apesar de o tempo ameaçar chuva (em Lisboa estava mesmo a chover), não estava muito frio, pelo que resolvemos seguir a estrada para norte. A seguir à praia das Maçãs, surge a pequena povoação das Azenhas do Mar, com as casas "encavalitadas" nos rochedos.


Para chegarmos à praia do Magoito, temos de percorrer a estrada que passa por Fontanelas e que segue para  o interior, para depois curvar e voltar em direcção ao oceano. Depois de passarmos a a aldeia do Magoito, chegamos ao parque do estacionamento junto a um miradouro do qual se tem esta vista. Daqui conseguimos ver toda a praia do Magoito e toda a costa para sul até ao Cabo da Roca.



A praia do Magoito tem esta enorme falésia composta por rochas estratificadas. Um autêntico monumento geológico.


No final deste curto dia, o tempo foi melhorando. Nesta praia algo rochosa, o dia era dos surfistas, para o qual as ondas são uma benção.


Aspecto da parte sul da praia, com uma importante extensão de areal.


Lado norte da praia, onde se pode ver a uma parte da arriba fóssil e a zona do miradouro. Por cima de algumas rochas junto ao mar há uma quantidade enorme de limos, daí o aspecto esverdeado de alguns sítios.


No final do dia, a praia era de alguns pescadores de Domingo, e de vários surfistas com coragem para enfrentarem a ondulação.


Novamente no miradouro, pudemos apreciar o anoitecer nesta praia que nos surpreendeu pelo gigantismo das arribas, e sobretudo pela amplitude do horizonte. Uma praia a visitar, especialmente nos dias soalheiros de Inverno.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Praia da Adraga

Novembro costuma ser um mês triste. O Verão já vai longe, as temperaturas descem, a chuva começa a ser irritante. Mas, naqueles dias em que o Sol espreita por entre as núvens, sabe bem ir almoçar junto à praia e ficar a observar a fúria de Neptuno.
Num destes últmos Domingos, fomos almoçar à Praia Grande, perto de Colares, onde comemos um polvo assado com castanhas, no restaurante Angra, mesmo em frente ao areal. Enquanto degustavamos o prato, fomos observando as habilidades de mais de duas dezenas de surfistas que, pelo vistos, fazem desta praia um pequeno santuário para a práctica deste desporto.
Após o almoço, resolvemos ir passear pela praia da Adraga. É fácil chegar lá. Saindo da Praia Grande em direcção ao cabo da Roca, entramos em Almoçageme e depois é só seguir as placas. A praia fica mais ou menos a 1 km da povoação.


A praia da Adraga é relativamente pequena e fica encrustada entre as falésias - para norte fica a Praia Grande, a sul a praia da Ursa. 

Uma boa parte da praia está preenchida por rochas, muitas delas que soltaram das arribas. Há também alguns rochedos que entram pelo mar adentro, e que para além de inúmeras gaivotas, também albergam vários corvos marinhos.


Aqui podemos ver a enorme falésia que é comum também à praia Grande.


O mar estava bastante agitado nesse dia, e o facto de haver pouca gente na praia, tornava o espectáculo ainda mais selvagem.


Nesta altura do ano, o por-do-Sol é relativamente cedo. E mais um vez pudemos apreciar um maravilhoso fenómeno da Natureza.
Cada vez mais ficamos a gostar desta linha de costa que vai desde o Guincho até à Praia Grande. A praia da Ursa é sem dúvida a mais selvagem, e exige muito esforço físico para lá chegar. A Praia Grande, é óptima para almoçar calmamente e apreciar as manobras dos surfistas. A praia da Adraga, que fica entre as duas, é uma praia que fica a meio termo entre as duas, mas que tem o seu encanto próprio, sobretudo nesta altura do ano.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Férias na Madeira - Parte III - Ponta de S. Lourenço


No segundo dia de férias na pérola do Atlântico, o sol quente de Junho convidava a um passeio pela ilha. A ideia seria ir até à Ponta de S. Lourenço até à hora do almoço, e depois subir ao Pico do Areeiro. Isto eram os planos, mas em férias, os planos são alterados conforme as circunstâncias.
Com a via rápida, do Funchal até ao Caniçal, são pouco mais de vinte minutos. Depois de andarmos algo perdidos pelas ruas da povoação, seguimos em direcção à Ponta de S. Lourenço. 


A estrada leva-nos ao miradouro da Prainha, onde podemos observar a praia com o mesmo nome - provalvelmente a única praia (não artificial) de areia na ilha da Madeira - e o monte onde se situa a  capela da Piedade. Não fosse o tempo a voar e daríamos um mergulho naquelas águas azuladas.  


Do miradouro podemos avistar ao longe as ilhas Desertas com uma boa visibilidade, o que nem sempre acontece.


A seguir, surge-nos o miradouro da Ponta do Rosto. Aqui estamos voltados para a costa Norte, e nalguns sítios, o vento quase que nos leva pelo ar.


A ponta de S. Lourenço é uma espécie de península que termina com dois ilhéus, com uma orografia muito peculiar. As encostas a norte são autênticas paredes verticais que se precipitam sobre o mar.

 Deste miradouro podemos ver a diferença do mar dos dois lados do istmo da península. A uma calmaria a sul, Neptuno não dá descanso a norte. E os madeirenses também aproveitam a energia do vento.

Pormenor das impressionantes falésias de origem vulcânica, constituidas sobretudo por basalto. As fotos dão apenas uma ideia da dimensão e da beleza destas arribas.


A atmosfera estava tão limpa que deu para fotografar a ilha de Porto Santo, a 40 km de distância.


A estrada alcatroada termina num parque de estacionamento já com vistas para a baía d'Abra. É aqui que começa o trilho P8. Este percurso leva-nos até à Casa do Sardinha, no meio da Reserva Natural da Ponta de S. Lourenço.
Era cerca de meio dia, e a ideia inicial era explorar o caminho, no máximo, durante uma hora, isto é, meia hora para ir e outra meia para voltar. Já sabiamos que não iriamos fazer a rota toda, pois a placa indicava 8 km (ida e volta). Assim, estacionamos o carro e iniciamos a caminhada. Os primeiros metros são acessíveis e estão relativamente bem cuidados, havendo até uma enorme escadaria de madeira que nos facilita a subida da primeira encosta.


Quando chegamos a cimo da encosta, já podemos admirar melhor todo o esplendor da baía d'Abra, com algumas pequeníssimas praias de calhaus cinzentos e pretos.


E com falésias espectaculares como esta.


A vereda leva-nos a um miradouro em muito mau estado (pelo que é necessário ter muito cuidado), mas onde se podem observar rochedos como este, a lutar contra as ondas puxadas pelo vento de norte.



Ou o contraste destes castanhos avermelhados com o azul marinho do oceano Atlântico.


Neste local só se ouve o barulho das ondas e do vento. A natureza vulcânica da ilha está bem à vista.


Foi a partir de aqui que tomamos a decisão de continuar até à Casa do Sardinha. Já que estávamos ali, porque não continuar? Só que nos esquecemos de algo essencial: mais do que não ter comida, não tinhamos água e em breve eu (Paulo) iria passar mal por causa disso.


O que parece já ali tão perto, afinal não está assim tão próximo. A vereda ondula ao longo da encosta sul da península e acaba por parecer extensíssima. Sobretudo, com o sol a pique e a sede que começa a apertar. 


No meio daquele deserto a vida arranja sempre maneira de se desenvolver. A ponta de S. Lourenço é completamente diferente do resto da ilha da Madeira. A aridez , provocada pela agreste ventania que sopra principalmente de norte, contrasta com a luxuriante vegetação abundante na Madeira. S. Lourenço tem tantas afinidades com Porto Santo que até parece que estamos nessa ilha. Quando chove nas estações mais frias, as ervas, que agora estão secas, dão um colorido verde à paisagem. Mas, em Junho, é plena desolação.  


Há uma zona, que atravessa o que parecem ser restos de lava, em que o trilho deixa de estar marcado, reaparecendo mais à frente.


Aspecto colossal da Ponta do Castelo.


Mais vida que teima em resistir à aridez do terreno.


Neste sítio, mais do que em qualquer outro local da Madeira, a combinação do mar e da terra impressiona pela sua relação de luta vigorosa e permanente.


Este local está mais ou menos a meio caminho do percurso. Ao longe, à esquerda da foto, está o parque de estacionamento onde deixamos o carro, do outro lado da baía d'Abra. 


A caminho da Casa do Sardinha e com o Pico do Furado ao fundo. Parecia tão perto, mas ainda estava longe.


Finalmente chegamos ao início do percurso circular que passa pela Casa do Sardinha.


Quase a chegar à Casa do Sardinha, depois de mais de duas horas de caminhada, a sede era tanta que já nem dava para apreciar a paisagem como devia ser. Mas não fosse a Graça a pedir água ao único funcionário da reserva que lá estava, acho que teria morrido de sede.


A Casa do Sardinha é uma espécie de oásis no meio do deserto. Serve de posto de atendimento da reserva natural da Ponta de S. Lourenço. Tem casa de banho, bancos para descansar, vendem pequenas bugigangas, mas é incrível como é que não fornecem água. Mas, claro, só malucos como nós é que vamos para uma caminhada de mais de quatro horas sem água. Quanto às palmeiras, é evidente que foram lá postas. Outra nota: é impressionante a quantidade de lagartixas que andam por todo o lado. Para nos sentarmos a descansar, primeiro temos de as afugentar.


Ligeiramente restabelecidos do calor , e para podermos dizer que fizémos o circuito completo, subimos ao Pico do Furado. Subida que requer muito esforço devido à inclinação da encosta.


Mas, a ascensão compensa pelas vistas. Podemos admirar toda a beleza da baía d'Abra, com o azul intenso do mar a contrastar com o amarelo seco da vegetação rasteira e o castanho-vermelho da aridez do terreno da Ponta de S.Lourenço.  


Do cimo do Pico do Furado também podemos ver os ilhéus da Cevada e de Fora. São reserva natural integral.


A esta hora, cerca das 15h00, já o Sol tinha rodado em relação à posição de quando começamos a caminhar. Mais uma vista da ponta de S. Lourenço e do resto da Madeira, com o Caniçal ao centro.


Foi no ilhéu da Cevada, também conhecido pelo de Desembarcadouros, que João Gonçalves Zarco, um dos descobridores da Madeira, aportou pela primeira vez na ilha.


Esta ponta tem o nome de S. Lourenço por causa do nome da caravela de João Gonçalves Zarco  que ao aproximar-se deste sítio gritou "ó São Lourenço, chega!".

Do cume do Pico do Furado conseguimos ver alguns pormenores das ilhas Desertas.


No regresso, continuamos a apreciar os aspectos geológicos deste sítio magnífico.


Ao completar o percurso circular da Casa da Sardinha, podemos observar o oásis (sem água) e a vertente sudoeste do Pico do Furado.


Apesar de estarmos com pressa, pois com o calor, a sede era muita, não deixavamos de  continuar a olhar para trás.


A ponta de S. Lourenço é mesmo um mundo à parte. A aridez do sítio, conjugada com enormes ravinas compostas por rochas nuas expostas à fúria dos elementos, torna a paisagem numa tipicamente lunar.


Às quatro e meia da tarde ainda faltava mais de 1 km para chegarmos ao local de partida. Parece que no regresso o caminho é sempre mais comprido.


Finalmente chegados ao estacionamento, tivémos uma surpresa agradável. Tinhamos à nossa espera uma roulotte de bebidas e comidas, para fazer negócio com a quantidade de aventureiros que andam por aquelas bandas. Acho que nunca bebi uma garrafa de água gelada tão rapidamente como dessa vez. O passeio que era para ser de uma hora, durou quase cinco. Quase que morri à sede. Um disparate para não repetir. Mas o percurso vale mesmo a pena. É uma faceta da Madeira completamente diferente e que só a valoriza, pois a paisagem é magnífica. Só foi pena não termos dado um mergulho. Esse foi a seguir na banheira de hidromassagem do spa do hotel, uma hora depois.