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sábado, 25 de junho de 2011

Jardim Botânico da Madeira

Pelo segundo ano consecutivo que Junho significa uma semana de férias na Ilha da Madeira. E, para não variar, este ano o hotel escolhido foi o mesmo do ano passado - o cinco estrelas Meliã Madeira Mare.
Depois de um suave voo de Lisboa até Santa Cruz, fomos buscar o carro de aluguer -desta vez um Fiat Grande Punto a gasolina - e seguimos para o hotel, onde fizemos o check-in.
A nossa primeira escolha de visita recaiu sobre o Jardim Botânico, que o ano passado já não tivemos tempo de visitar.
É relativamente fácil chegar lá de carro. Também há a possiblidade de subir no teleférico a partir do centro do Funchal, mas claro, estando de automóvel foi só seguir as placas. Quase antes de chegarmos À entrada, a rua tem uma inclinação apreciável, como muitas na ilha, e foi ali que começamos a perceber as limitações deste Punto. Só mesmo em primeira, e com muito esforço, lá conseguimos estacionar.


Depois de um almoço rápido no snack-bar perto do Jardim, iniciamos a visita a esta obra genial dos madeirenses. O bilhete custou 3 euros por pessoa, mas permitu também a entrada no Museu de História Natural da Madeira. Este museu tem, outras coisas,uma enorme colecção de fósseis e de rochas vulcânicas.


Logo à entrada nos apercebemos da beleza do sítio. Muitas flores, tudo muito bem tratado e cuidado.


A diversidade de plantas é enorme. Este Jardim Botânico tem quase tudo.


A área ajardinada, cerca de 5 hectares, tem aproximadamente 2500 plantas de várias partes do mundo.


Este Jardim fica na Quinta do Bom Sucesso, e foi inaugurado em 1960.


A maioria da plantas está bem identificada com o seu nome comum e, claro, com o nome em latim.


Neste Jardim, apanhamos uma overdose de plantas de todas as cores e feitios.


E, nesta altura do ano, há muitas plantas com flores,  o que anima todo o ambiente.


Como quase tudo na ilha da Madeira, o Jardim fica numa encosta com vários patamares. De uns sítios para os outros nota-se variações de temperatura e humidade, às vezes bruscas. Há sítios onde quase parece um congelador, como, de repente, passamos para outros bem mais quentes.



A existencia de vários miradouros, permite-nos ter panorâmicas muito interessantes para a bela cidade do Funchal.



A Madeira é atravessada por inúmeros túneis que permitem uma deslocação mais rápida entre os diversos pontos da ilha. Por baixo de uma parte do Jardim, passa a via rápida principal da Madeira, a que liga o Funchal ao aeroporto.


Existe um interessante jardim de cactos, junto à estufa das orquídeas e de um relvado ajardinado.


Chegamos a este jardim de cactos quase duas horas depois de termos entrado e nem faziamos ideia de que a visita ainda se prolongar por mais umas horas.


Este Jardim Botânico é uma das maravilhas que a região da Madeira tem para oferecer.


Nas zonas mais quentes as lagartixas são sempre uma companhia. Às vezes temos de ter cuidado para não as pisarmos.

Uma das coisas que mais agrada à vista é a conjugação das cores das diferentes plantas.


O Jardim também tem uma função educativa. Aqui uma modelo de uma casa típica com o telhado de colmo.


E existe uma área com plantas de cultivo, desde couves, alhos-franceses, cebolas, cenouras, etc. Também há diversas árvores de fruto.

Num dos patamares encontramos este conjunto de espécies apropriadas para a arte da topiária - a arte de moldar as plantas.


O Jardim tem diversas funções. Para além do aspecto lúdico, trabalha na conservação e preservação das espécies da região, algumas das quais estão ameaçadas. Para isso, possui diversos bancos de sementes, alguns conservsados a temperaturas da ordem dos -20ºC.


Junto ao Jardim (na pratica não percebemos a divisão) existe o Loiro Parque - um espaço onde habitam dezenas e dezenas de papagaios e catatuas. Há também um pequeno lago onde se deliciam estas tartarugas.


No ínicio ainda pensamos que esta tartaruga era uma estátua, mas depois de ela mexer a cabeça é que vimos que era verdadeira.

A beleza destas aves exóticas das Américas fez-nos demorar mais a visita.


Para manter este Loiro Parque é necessário muito investimento, tendo em conta a quantidade de aves e gaiolas existentes.


São mesmo aves de uma rara beleza quando vistas mais ao pormenor.


O que mais encanta é a variedade de cores. Parece que foram acabadas de pintar. O pior mesmo é a barulheira que fazem todas juntas.


Depois do Loro Parque, que fica no nível mais baixo do Jardim, voltamos a subir, parando de vez em quando nos miradouros que nos permitem ter bonitas panorâmicas. Neste caso, para as montanhas que rodeiam o Funchal.


Ou vistas como esta para a zona oeste do Funchal.


Aqui podemos ver uma parte da  secção das ervas arómaticas.


Subindo até ao topo do Jardim, chegamos ao Arboreto, uma zona cheia de árvores, mais fria, e onde existe a Furna dos Namorados, uma  fonte no meio de m pequeno lago verde.


Na zona do Arboreto, encontramos algumas árvores bem altas e com troncos bem grossos.


Depois de mais de quatro horas de visita é altura de começar a descer para a saída.


Para começar mais umas férias madeirenses, passear no Jardim Botânico da Madeira foi uma experiência muito agradável, em todos os sentidos. Apesar do desnível de mais de 150 metros entre os níveis mais baixo e mais alto, o percurso faz-se bem. Há bancos  e recantos por todos os lados para podermos ir parando e descansar. E  a diversidade e o colorido de plantas acaba por ser uma excelente distração. O Loiro Parque, cheio de aves exóticas, também foi uma boa surpresa com que não estávamos à espera. E, claro, as panorâmicas sobre a cidade do Funchal são sempre soberbas.
Encontramos este site que tem óptimas informações sobre o Jardim:

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Férias na Madeira - Parte III - Ponta de S. Lourenço


No segundo dia de férias na pérola do Atlântico, o sol quente de Junho convidava a um passeio pela ilha. A ideia seria ir até à Ponta de S. Lourenço até à hora do almoço, e depois subir ao Pico do Areeiro. Isto eram os planos, mas em férias, os planos são alterados conforme as circunstâncias.
Com a via rápida, do Funchal até ao Caniçal, são pouco mais de vinte minutos. Depois de andarmos algo perdidos pelas ruas da povoação, seguimos em direcção à Ponta de S. Lourenço. 


A estrada leva-nos ao miradouro da Prainha, onde podemos observar a praia com o mesmo nome - provalvelmente a única praia (não artificial) de areia na ilha da Madeira - e o monte onde se situa a  capela da Piedade. Não fosse o tempo a voar e daríamos um mergulho naquelas águas azuladas.  


Do miradouro podemos avistar ao longe as ilhas Desertas com uma boa visibilidade, o que nem sempre acontece.


A seguir, surge-nos o miradouro da Ponta do Rosto. Aqui estamos voltados para a costa Norte, e nalguns sítios, o vento quase que nos leva pelo ar.


A ponta de S. Lourenço é uma espécie de península que termina com dois ilhéus, com uma orografia muito peculiar. As encostas a norte são autênticas paredes verticais que se precipitam sobre o mar.

 Deste miradouro podemos ver a diferença do mar dos dois lados do istmo da península. A uma calmaria a sul, Neptuno não dá descanso a norte. E os madeirenses também aproveitam a energia do vento.

Pormenor das impressionantes falésias de origem vulcânica, constituidas sobretudo por basalto. As fotos dão apenas uma ideia da dimensão e da beleza destas arribas.


A atmosfera estava tão limpa que deu para fotografar a ilha de Porto Santo, a 40 km de distância.


A estrada alcatroada termina num parque de estacionamento já com vistas para a baía d'Abra. É aqui que começa o trilho P8. Este percurso leva-nos até à Casa do Sardinha, no meio da Reserva Natural da Ponta de S. Lourenço.
Era cerca de meio dia, e a ideia inicial era explorar o caminho, no máximo, durante uma hora, isto é, meia hora para ir e outra meia para voltar. Já sabiamos que não iriamos fazer a rota toda, pois a placa indicava 8 km (ida e volta). Assim, estacionamos o carro e iniciamos a caminhada. Os primeiros metros são acessíveis e estão relativamente bem cuidados, havendo até uma enorme escadaria de madeira que nos facilita a subida da primeira encosta.


Quando chegamos a cimo da encosta, já podemos admirar melhor todo o esplendor da baía d'Abra, com algumas pequeníssimas praias de calhaus cinzentos e pretos.


E com falésias espectaculares como esta.


A vereda leva-nos a um miradouro em muito mau estado (pelo que é necessário ter muito cuidado), mas onde se podem observar rochedos como este, a lutar contra as ondas puxadas pelo vento de norte.



Ou o contraste destes castanhos avermelhados com o azul marinho do oceano Atlântico.


Neste local só se ouve o barulho das ondas e do vento. A natureza vulcânica da ilha está bem à vista.


Foi a partir de aqui que tomamos a decisão de continuar até à Casa do Sardinha. Já que estávamos ali, porque não continuar? Só que nos esquecemos de algo essencial: mais do que não ter comida, não tinhamos água e em breve eu (Paulo) iria passar mal por causa disso.


O que parece já ali tão perto, afinal não está assim tão próximo. A vereda ondula ao longo da encosta sul da península e acaba por parecer extensíssima. Sobretudo, com o sol a pique e a sede que começa a apertar. 


No meio daquele deserto a vida arranja sempre maneira de se desenvolver. A ponta de S. Lourenço é completamente diferente do resto da ilha da Madeira. A aridez , provocada pela agreste ventania que sopra principalmente de norte, contrasta com a luxuriante vegetação abundante na Madeira. S. Lourenço tem tantas afinidades com Porto Santo que até parece que estamos nessa ilha. Quando chove nas estações mais frias, as ervas, que agora estão secas, dão um colorido verde à paisagem. Mas, em Junho, é plena desolação.  


Há uma zona, que atravessa o que parecem ser restos de lava, em que o trilho deixa de estar marcado, reaparecendo mais à frente.


Aspecto colossal da Ponta do Castelo.


Mais vida que teima em resistir à aridez do terreno.


Neste sítio, mais do que em qualquer outro local da Madeira, a combinação do mar e da terra impressiona pela sua relação de luta vigorosa e permanente.


Este local está mais ou menos a meio caminho do percurso. Ao longe, à esquerda da foto, está o parque de estacionamento onde deixamos o carro, do outro lado da baía d'Abra. 


A caminho da Casa do Sardinha e com o Pico do Furado ao fundo. Parecia tão perto, mas ainda estava longe.


Finalmente chegamos ao início do percurso circular que passa pela Casa do Sardinha.


Quase a chegar à Casa do Sardinha, depois de mais de duas horas de caminhada, a sede era tanta que já nem dava para apreciar a paisagem como devia ser. Mas não fosse a Graça a pedir água ao único funcionário da reserva que lá estava, acho que teria morrido de sede.


A Casa do Sardinha é uma espécie de oásis no meio do deserto. Serve de posto de atendimento da reserva natural da Ponta de S. Lourenço. Tem casa de banho, bancos para descansar, vendem pequenas bugigangas, mas é incrível como é que não fornecem água. Mas, claro, só malucos como nós é que vamos para uma caminhada de mais de quatro horas sem água. Quanto às palmeiras, é evidente que foram lá postas. Outra nota: é impressionante a quantidade de lagartixas que andam por todo o lado. Para nos sentarmos a descansar, primeiro temos de as afugentar.


Ligeiramente restabelecidos do calor , e para podermos dizer que fizémos o circuito completo, subimos ao Pico do Furado. Subida que requer muito esforço devido à inclinação da encosta.


Mas, a ascensão compensa pelas vistas. Podemos admirar toda a beleza da baía d'Abra, com o azul intenso do mar a contrastar com o amarelo seco da vegetação rasteira e o castanho-vermelho da aridez do terreno da Ponta de S.Lourenço.  


Do cimo do Pico do Furado também podemos ver os ilhéus da Cevada e de Fora. São reserva natural integral.


A esta hora, cerca das 15h00, já o Sol tinha rodado em relação à posição de quando começamos a caminhar. Mais uma vista da ponta de S. Lourenço e do resto da Madeira, com o Caniçal ao centro.


Foi no ilhéu da Cevada, também conhecido pelo de Desembarcadouros, que João Gonçalves Zarco, um dos descobridores da Madeira, aportou pela primeira vez na ilha.


Esta ponta tem o nome de S. Lourenço por causa do nome da caravela de João Gonçalves Zarco  que ao aproximar-se deste sítio gritou "ó São Lourenço, chega!".

Do cume do Pico do Furado conseguimos ver alguns pormenores das ilhas Desertas.


No regresso, continuamos a apreciar os aspectos geológicos deste sítio magnífico.


Ao completar o percurso circular da Casa da Sardinha, podemos observar o oásis (sem água) e a vertente sudoeste do Pico do Furado.


Apesar de estarmos com pressa, pois com o calor, a sede era muita, não deixavamos de  continuar a olhar para trás.


A ponta de S. Lourenço é mesmo um mundo à parte. A aridez do sítio, conjugada com enormes ravinas compostas por rochas nuas expostas à fúria dos elementos, torna a paisagem numa tipicamente lunar.


Às quatro e meia da tarde ainda faltava mais de 1 km para chegarmos ao local de partida. Parece que no regresso o caminho é sempre mais comprido.


Finalmente chegados ao estacionamento, tivémos uma surpresa agradável. Tinhamos à nossa espera uma roulotte de bebidas e comidas, para fazer negócio com a quantidade de aventureiros que andam por aquelas bandas. Acho que nunca bebi uma garrafa de água gelada tão rapidamente como dessa vez. O passeio que era para ser de uma hora, durou quase cinco. Quase que morri à sede. Um disparate para não repetir. Mas o percurso vale mesmo a pena. É uma faceta da Madeira completamente diferente e que só a valoriza, pois a paisagem é magnífica. Só foi pena não termos dado um mergulho. Esse foi a seguir na banheira de hidromassagem do spa do hotel, uma hora depois.