quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Serro de Penhas Juntas

Aproveitámos o feriado do aniversário da implantação da República para dar uma escapadela até Torre de Dona Chama em Trás-os-Montes.
A vila de Torre de Dona Chama é a terra onde eu (Paulo) nasci, já lá vão quase 39 anos. É onde vivem os meus pais e a minha irmã mais nova. Fica cerca de 20 km para norte de Mirandela.
Apesar de ser quase sempre auto-estrada (ainda há o IP3 e uma parte do IP4), a viagem é ainda um "esticanço", de pelo menos 5 a 6 horas. Mas vale a pena, para além das razões familiares, pois a paisagem transmontana é uma paisagem de contrastes, e vale pelos vastos horizontes que se alcançam.
Na manhã da véspera do feriado resolvemos aventurar-nos à descoberta do Serro de Penhas Juntas.
O Serro de Penhas Juntas é uma montanha de cerca de 5 km de comprimento, e atinge uma altitude de cerca de 850 metros acima do nível do mar. O interessante é que o topo é constituído por formações rochosas parecidas com cristas. A encosta sul está cheia de pedregulhos que se foram soltando do cume.
Parece que o Serro tem alguns vestígios de povoamento antigo, mas não os encontramos.
O Serro é bem visível da estrada que liga a Torre até Bragança e que atravessa a Serra da Nogueira. As últimas vezes que lá passamos, fiquei sempre com vontade de subir ao topo, mas só agora é que nos "deu na telha" lá ir.
O tempo não parecia ser muito favorável, pois ameaçava chover. No entanto, a meio da manhã, começou a abrir.
Apesar de não termos planos totalmente definidos, o objectivo era seguir de carro por uma estrada de terra batida que contorna a montanha. E, depois, seguir a pé até ao cume. O problema de não termos um jipe todo -o-terreno, é que nos arriscamos a ficar entalados num caminho qualquer. Isto de ir à aventura tem sempre os seus prós e contras. Os contras é que nunca sabemos bem o que vai acontecer.
Esse Domingo, foi o primeiro dia de caça do Outono. Por todo o lado se ouviam tiros e latidos dos cães.
As aldeias mais perto do Serro são Falgueiras e Penhas Juntas. O Serro é uma espécie de fronteira entre a Terra Quente e a Terra Fria. Aqui acabam as oliveiras e começam os castanheiros.
Antes de chegar a Penhas Juntas, virámos à esquerda para um estradão de terra batida e 2 km à frente, depois de passarmos por um campo de castanheiros, começamos a subir a encosta norte do Serro. Este caminho contorna a encosta e depois começa a descer pela parte sul. Estacionamos o carro, e seguimos a pé.
Ao contrário da encosta norte, cuja vegetação é muito cerrada, não havendo qualquer hipótese de a atravessar, a zona sul tem uma vegetação mais rasteira. Mesmo assim, a subida não foi pêra doce, tendo em conta a inclinação da encosta. A parte pior foi quando tivemos que passar pela vegetação entre as rochas para chegar ao cimo.
No topo, a vista é de cortar a respiração.
A descida fez-se pelo mesmo caminho.
Voltamos ao carro e seguimos pela estrada de terra batida, que até ali até nem estava muito mal.
A ideia era seguir até às Falgueiras e apanhar de novo a estrada nacional e, claro, ir almoçar, que já se fazia tarde.
A seguir aparecem bifurcações e tivemos que seguir a nossa intuição para descobrir o caminho certo. O pior foi quando a estrada (já não era bem uma estrada) começa a descer para um vale com uma inclinação que me assustou. Tive que parar, e ir a pé cerca de 1,5 km para ver onde ia dar e se estava em condições. É que, a seguir à descida abrupta, seguia-se uma subida com inclinação quase igual. Além disso, voltar para trás estava fora de questão, pois já nos encontrávamos a meio da descida e a manobra parecia complicada. Não estava calor, mas fartei-me de transpirar, só de pensar que só já saia dali de reboque.
Muito devagar, lá descemos até ao fundo e, depois em primeira, o Seat Toledo 1.9 TDi mostrou que, apesar dos 200.000 km, ainda está para as curvas, fazendo a subida melhor do que eu pensara.
Afinal não foi necessário chamar o reboque e o almoço também não arrefeceu.

Na primeira parte do percurso, demos com um campo de castanheiros. Mas, os ouriços ainda não estavam abertos.
Aspecto do campo de castanheiros, atravessada pela estrada de terra batida.

O caminho que liga o Serro a Falgueiras. Foi aqui que o Seat Toledo mostrou o seus dotes de todo-o-terreno.
As cristas rochosas no topo do Serro.

A encosta que nos levou da estrada até ao cimo do Serro. São cerca de 250 metros sempre a subir.

Ao longo da encosta encontramos várias rochas que se soltaram do topo.

Podemos observar diferentes tipos de vegetação conforme o terreno e as condições do mesmo.
A zona norte é xistosa e abundam as urzes. Na zona granítica predominam as giestas.

Aqui podemos ver o espaço entre as fragas que nos permitiu aceder ao topo.


Dois blocos graníticos que se soltaram dos rochedos.

Ao chegar às rochas do topo, podemos ver o aspecto gigantesco das mesmas.

A rocha em pormenor.

Para norte, fica a aldeia de Penhas Juntas e o início da Serra da Nogueira.


A vista do topo é magnífica.


Vista das rochas que foram resvalando pela encosta ao longo de milhões de anos.

As encostas do Serro eram despidas. No entanto, desde há vinte anos que se têm florestado determinadas zonas.

Aspecto de uma das cristas vista de cima. Estas cristas estendem-se ao longo de mais de 5 km desde as encostas da Serra da Nogueira até ao vale do rio Tuela.

Ao fundo vemos a estrada onde deixamos o carro. Podemos ver as diferenças na vegetação em função do terreno e das linhas de água.

Nas cristas rochosas existem diversas cavidades naturais que podem eventualmente ter sido aproveitadas pelos povos primitivos que ocuparam esta zona.

Apesar de ser Outono, ainda se podem observar algumas plantas em flor.

Ao descermos para as Falgueiras encontramos medronhos selvagens, alguns prontinhos para comer. Foi a primeira vez que comi medronhos e estavam muito bons. Aliás, deu para trazer alguns para comer mais tarde. De repente, dei comigo a fazer parte do Age of Empires, onde o jogo começa por controlarmos civilizações no início, onde os habitantes são caçadores-recolectores.

Esta é a vista que se tem do Serro, desde as Falgueiras.


Vista panorâmica da zona de topo do Serro por onde nos aventurámos.

Panorâmica para sul - podemos ver, da esquerda para a direita, Falgueiras, Agrochão e Ervedosa.

Parte da encosta sul do Serro. Aqui podemos ver a extensão das cristas.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Fim de tarde na Lagoa de Albufeira

Para relaxar, resolvemos ir tirar umas fotos à Lagoa de Albufeira, perto de Sesimbra. Quando chegámos, já passava das sete da tarde e o Sol estava quase a por-se. Quando era pequeno achava piada haver uma lagoa chamada de Albufeira perto de Lisboa, quando Albufeira era no Algarve. E sempre tive curiosidade em visita-la. No entanto, só há uns anos é que a fui visitar pela primeira vez. E, na altura, não gostei do que vi.
Muitas casas clandestinas, tendas de campismo por todo o lado, a lagoa cheia de lixo.
Desta vez, pudemos observar que o número de casas continua a aumentar, mas parece haver mais algum ordenamento. Já não se vêem campistas e a lagoa parece razoavelmente limpa.

Como era fim de tarde, já quase não havia ninguém na praia. O acesso é fácil e está bem arranjado.
Podemos observar o extenso areal que vem desde a Costa da Caparica, apenas interrompido pela ligação directa da lagoa ao mar.

Para sul fica o Cabo Espichel. Antes, fica a famosa praia do Meco.

A esta hora do dia, a lagoa é frequentada por centenas de aves, sobretudo gaivotas. E como a maré estava a descer, devia ser a hora do jantar.

Zona de confluência das águas do oceano com as da lagoa.

Grupo de gaivotas do outro lado da praia. É para tirar fotos mais ampliadas do que esta que estamos a pensar investir num telescópio Zeiss Diascope 85 T FL. Mas 0s 2000 euros necessários faz-nos parar para pensar.

Podemos ver a força da corrente que leva a água a sair da lagoa em direcção ao mar, numa altura em que a maré está a descer. Do outro lado da lagoa, no cima da colina florestada, ficam umas instalações da Nato. Se não fosse isso, provavelmente tínhamos ali mais umas quantas urbanizações.

Esta foto é uma experiência com a máquina a demorar 1 segundo a tirar a foto. Dá um efeito diferente da corrente em direcção ao mar.

Último por-do-Sol deste Verão de 2009. É provavelmente a parte do dia mais agradável, isto claro quando há Sol.

No espaço de pouco mais de meia hora, o nível da água baixou consideravelmente.

Esta foto não transmite toda a luminosidade e variação dos tons de vermelho que pudemos observar, já depois do Sol ter desaparecido no horizonte.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cabo da Roca - ponta mais ocidental do continente Europeu

Este Domingo fomos revisitar o Cabo da Roca. Ficamos agradavelmente surpreendidos pelo forma limpa e arranjada como está a zona frequentada pelos visitantes. É raro ver-se em Portugal.

O farol do Cabo da Roca enquadra-se bem na paisagem. Os carros ficam afastados do miradouro, em parques bem arranjados.

Vista para norte do Cabo da Roca. Para lá destes penhascos fica a praia da Ursa, que era para irmos visitar, mas não fomos por falta de tempo.

O Cabo da Roca visto de norte.

Rochedos perto da praia da Ursa.

No sopé do Cabo da Roca o mar hoje estava relativamente calmo.

Marco que nos lembra que estamos na ponta mais ocidental do continente europeu.
Os responsáveis pela conservação deste espaço estão de parabéns. Além de quase não haver lixo espalhado pelo chão, estas vedações de madeira permitem que se possam percorrer algumas dezenas de metros ao longo das falésias sem correr riscos.

Aspecto do Parque Natural Sintra-Cascais na zona do Cabo da Roca. Ao fundo fica a Serra de Sintra e a localidade de Azóia.

Aspecto da costa para sul do Cabo da Roca.

Aproveitamos para descer até ao meio da encosta.

Para observar bem estes rochedos

A paisagem é simplesmente espectacular.


O pior mesmo foi voltar a subir, pois a descer todos os santos ajudam.

Mas lá conseguimos e regressamos ao parque de estacionamento.

No regresso, passámos pela praia do Guincho, onde assistimos a este magnífico por-do-Sol.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Olhos de Água do Alviela

No dia 23 de Agosto passado, resolvemos ir visitar as nascentes do rio Alviela, perto de Alcanena. Numa zona conhecida como Olhos de Água, a Epal tem um sistema de captação de água. Chamam-lhe Olhos de Água porque, no Inverno, a água brota, em grande abundância, e sai por entre as rochas de vários sítios diferentes, parecendo que elas tem "olhos".
No pico do Verão, não há olhos, e água sai suavemente de uma pequena abertura.
Nesta zona existe uma praia fluvial relativamente bem cuidada. Há também um restaurante, um parque de campismo e um Carsioscópio pertencente ao Ciência Viva, o qual não tivemos oportunidade de visitar.
Quando chegamos eram cerca das cinco da tarde e, por ser Verão e Domingo, a confusão no parque de estacionamento era enorme. A praia estava completamente cheia, pelo que resolvemos ir fazer um "pequeno" percurso pelas nascentes do Alviela.

O percurso pedestre é de dois quilómetros (ida e volta). Está bem cuidado. Só faltam as indicações. Tirando este painel, todos os outros estavam vazios.

No ponto mais alto do percurso, tem-se esta vista. O rio "corre" por baixo de nós.

Há uma série de cavidades, grutas e poços que, por uma questão de segurança, é proibido entrar. Claro que a maioria das pessoas não liga nenhuma.
Isto é um anfiteatro improvisado, junto a uma dessas cavidades.

Aqui, o rio Alviela sai de uma cavidade para entrar logo noutra a seguir.

Esta zona do rio está vazia no Verão. Quando chove isto fica completamente alagado.

Este troço do rio já não faz parte do percurso pedestre oficial. Passámos a barreira e avançamos ao longo da margem. Aqui o rio não passa de um pequeno regato nesta altura do ano.

O rio forma um pequeno canhão. Nas paredes podem ver-se diferentes estratos.


Mais uma perspectiva do tranquilo regato que é aqui o rio Alviela.

É visível nestas rochas o desgaste provocado pela água.

Aspecto da entrada de uma gruta por onde entram as águas que depois vão correr pelas profundezas da terra até saírem em jorro pelos Olhos de Água. Claro que que agora é Verão, pelo que a água é pouca.

Um habitante vestido de preto dos Olhos de Água.

Aspecto de uma parte da paisagem circundante dos Olhos de Água.

No final do dia, já com pouquíssima gente na praia fluvial, é assim que temos o rio Alviela visto da ponte de madeira junto ao restaurante.