terça-feira, 16 de junho de 2009

Andaluzia

Como planeado, a semana dos feriados de Junho deste ano serviu para tirarmos umas férias no Sul de Espanha.

Já não é a primeira vez (e não será a última) que o nosso destino de férias é Espanha. Normalmente, fazemos-nos à estrada, muitas vezes sem destino marcado. Desta vez, e depois da experiência do Gerês, decidimos escolher um hotel para passar sete noites com todas as comodidades. A escolha caiu sobre o H10 Estepona Palace, na cidade de Estepona, que fica entre Algeciras e Marbella.



É a Costa del Sol, cheia de ingleses e alemães (e outros, claro). Praias, hotéis, muitos aldeamentos turísticos, mas, logo ali ao lado, montanhas, parques naturais, natureza quase em estado selvagem. Totalmente selvagem não, porque está presente o lado humano, mas que é um presença que se confunde com o meio natural.

Sempre que vamos a Espanha, ficamos agradavelmente surpreendidos com a beleza dos parques, das diferenças de região para região, da forma como os espanhóis aproveitam ao máximo as potencialidades turísticas seja do que for. Em muitos sítios pagamos para ver, mas está tudo muito bem tratado.

A Andaluzia não é só praia. É um verdadeiro paraíso natural. Basta olhar para o mapa abaixo, tirado do site


Estamos a falar de 24 parques onde a natureza ainda é mais ou menos o que era há uns anos atrás.

Nesta semana pudemos explorar, embora ao de leve, porque o tempo não chega para tudo, Alcornocales (13). Estivemos também no Torcal de Antequera e na Laguna de Fuente de Piedra que, embora não apareçam no mapa, são zonas protegidas. Aliás, há muitas pequenas zonas protegidas que não estão assinaladas.

Foi pois uma semana em cheio. Quilómetros e mais quilómetros - 2470 no total. Uma temperatura acima do normal (excepto o primeiro dia), quase 2000 fotos, e claro o descanso no SPA do hotel ao fim do dia. Nas próximas mensagens, iremos contar os detalhes destes dias bem passados.

domingo, 7 de junho de 2009

Peixe para o almoço - El Rocio, Doñana

Neste vídeo podemos ver águias a pescar numa laguna do Guadalquivir, em El Rocio, no Parque Nacional de Doñana. Uma delas, a um dado momento apanha um peixe, sobe, mas deixa-o cair. No entanto, faz um voo picado e apanha-o novamente antes de ele chegar à água.

A qualidade do vídeo não é a melhor, pois a digitalização a partir da camcorder não correu lá muito bem.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Raposa

Numa das idas ao Penedo Durão, optámos por seguir por uma estrada de montanha que atravessa as arribas da margem direita do rio Douro. Na descida, já quase ao fim do dia, demos de caras com esta raposa macho, que se nos viu, foi como não tivesse visto. Estava mais preocupada em marcar o território.

Perdizes

Em 2004, num Domingo em que fomos passear até à Lagoa de Óbidos, deparàmo-nos com várias perdizes, num campo perto da Lourinhã.

Ave de Rapina no Gerês

Já nos despediamos do Gerês, quando, na descida para Covide, vislumbrei uma mancha no azul do céu de fim de tarde. Encostei o carro à berma da estrada, agarrei na câmara, apontei, zoom no máximo e o resultado está à vista: imagens tremidas e desfocadas, mas que, apesar de tudo, valeram a pena.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Gerês - Portugal Fantástico - Parte III (Fotos)


Vista do miradouro da Pedra Bela. Na realidade, existem dois miradouros: o velho e o novo. Esta foto foi tirada no novo, o qual têm um campo de visão mais abrangente.

Penhascos a caminho de Ermida. As fotos nunca dão bem a dimensão destes rochedos. Aqui, as flores amarelas das giestas a contrastarem com o cinzento das rochas. Um efeito muito comum nesta altura do ano.

A cascata do Arado vista do miradouro turístico.


Ponte sobre o rio Arado vista do miradouro da cascata. O leito do rio está cheio de "calhaus"moldados pela força das águas, que depois de cairem abruptamente na zona da cascata, correm de forma suave debaixo da ponte.

Desde a ponte até à cascata, pelo leito do rio, encontram-se quedas de água mais pequenas, também bonitas de se verem, mas que necessitam de alguma atenção para não irmos ao banho.


A cascata do Arado vista do sítio mais perto junto à base até onde a Graça conseguiu ir. Só falta mesmo o barulho da água a cair.

Nesta zona a água é mesmo transparente e com peixes(!). O tom verde é dado pela vegetação das encostas.


Dá para ver que a Graça conseguiu chegar mais perto da cascata do que eu. Para isso teve que molhar os pés. Mas ela gostou por causa do calor que estava.

Depois de uma subida atribulada por uma estrada em péssimas condições, chegámos ao miradouro da Junceda. E valeu a pena. Não só pelas vistas como pelo silêncio.


À primeira vista, parece que estamos numa esplanada de um qualquer bar. Podia ser, mas não é. Trata-se do miradouro da Junceda, que parece estar a ser remodelado, mas, ao mesmo tempo abandonado.

O Gerês é um conjunto de maciços graníticos, florestas verdejantes e água, muita água.
Aqui, temos as rochas.


Também há prados. No fim deste, temos Campo do Gerês. Ao fundo, fica a Serra Amarela. Um belo fim de dia nesta serra magnífica.




Mais um conjunto de rochas que caracterizam a paisagem do Gerês. Se calhar, já é um exagero de pedras, mas...

A famosa igreja de São Bento da Porta Aberta. Já cá tinhamos estado em 2004, no baptizado do nosso sobrinho Tomás. As pinturas do tecto da igreja são muito interessantes. Ah, é verdade, parece que a porta está sempre aberta, pelo menos, durante o dia.

E para despedida deste fim-de-semana prolongado, mais uma vez a água, vista do adro da igreja de São Bento da Porta Aberta.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Gerês - Portugal Fantástico - Parte III

A manhã de Domingo, dia 3 de Maio, chegou depressa. Último dia destas mini-férias, a nossa vontade era que o dia fosse o mais longo possível.
Assim, levantámo-nos cedo, e ,depois do pequeno-almoço, rumámos a um dos miradouros mais turísticos do Gerês - a Pedra Bela. Fica a cerca de 4 km da Vila, na encosta este. A estrada, embora alcatroada, é muito estreita e sinuosa. Nesta vertente, abundam muitos pinheiros bravos.
A vista na Pedra Bela é, como não podia deixar de ser, fabulosa. Às dez da manhã ainda pudemos desfrutar da paisagem em algum sossego. No entanto, logo a seguir começou a chegar um enchente de gente, sobretudo domingueiros que, mais do que vir conviver na Natureza, têm motivações diversas.
Às onze horas, regressámos à Vila, para ir utilizar, pela última vez, o SPA das Águas do Gerês. Depois de termos estado uns minutos no banho turco, aproveitámos ao máximo a piscina hidrodinâmica, com os seus jactos de água e os jacuzzi com bolhas de ar. E foi óptimo, pois tivemos a piscina, praticamente, só para nós.
Depois de comprarmos uns "recuerdos" - uns potes com mel supostamente do Gerês - e nos termos abastecido de umas frutas e umas sandes para almoço, o objectivo seguinte era ir revisitar a cascata do Arado.
A propósito das frutas, quero dizer que achei piada à simpática da velhota que me atendeu, não só pela maneira comercial de querer vender tudo e mais alguma coisa - prove, prove! não paga nada - mas também porque estando eu demorado à procura de trocos, pensando ela que eu não tinha dinheiro me disse: filho, se não puder, paga amanhã, que eu confio! Mal ela sabia que, "amanhã", já nós estaríamos bem longe.
Se calhar foi sorte, mas além de barata, toda a fruta estava muito boa, desde as uvas aos morangos (muito bons mesmo!).
Seguimos em direcção a Rio Caldo e cortámos à esquerda para Ermida, pois estava com receio de que a estrada da Pedra Bela para a cascata não estivesse em bom estado, o que depois verificámos não ser verdade.
Uns quilómetros a seguir a Ermida, fica o desvio para a cascata. Ainda nos aventurámos umas dezenas de metros, só que os buracos naquela estrada de terra batida eram tantos e tão grandes que decidimos parar o carro e, depois do almoço, seguir a pé. Seiscentos metros mais à frente, fica a ponte sobre o rio Arado.
Mais uma vez, um montão de gente. Tal outra coisa não seria de esperar num Domingo soalheiro mesmo a apetecer sair de casa. No entanto, tudo tem limites. E, às vezes, interrogo-me o que é que anda determinado tipo de gente a fazer por estas bandas. Na verdade, uma coisa eu sei - poluem. É um triste espectáculo ver, junto à ponte e nas bermas próximas do rio, a quantidade de lixo de toda a espécie, sobretudo plásticos e coisas afins. Será que não há a noção de que um simples plástico demora, pelo menos, quinhentos anos a decompor-se, e que o próprio processo vai contaminar toda a água e solos?
A cascata do Arado pode apreciar-se de vários sítios. O mais turístico é um ponto elevado da margem direita do rio, que se atinge subindo uma escadaria de cerca de uns 50 metros.
O outro é subindo o leito do rio e chegando à base da cascata.
Da primeira vez que aqui havíamos estado, era Verão e o rio levava menos água. Desta vez, chegar junto à cascata foi um pouco mais complicado. Tivemos que ir saltando de rocha em rocha no meio do rio, para não pormos os pés na água. A seguir tivemos que flanquear umas árvores na margem e, finalmente, a Graça decidiu descalçar-se para passar para um rochedo mais próximo da cascata. A água estava gelada, mas valeu a pena. O espectáculo é magnífico: o barulho, a água cristalina, os peixes (!) e os rochedos. Só um senão: se acontecesse algum percalço, estávamos por nossa conta, pois naquele sítio não há sinal de rede para telemóveis.
Depois do esforço todo, sobretudo para mim (que não estou habituado a estas andanças), regressámos à Vila do Gerês pela Pedra Bela - afinal a estrada estava boa - para seguirmos para o último destino: o miradouro da Junceda.
Para ir para este miradouro, é seguir na estrada que vai para Covide e, pouco antes, corta-se à direita e é seguir 3 km por uma estrada de terra batida, que é de por os nervos em franja tal é a quantidade de buracos, covas, valas, etc que aquilo tem. Coitado do nosso pobre carro!
Mas vale a pena. A paisagem até chegar ao miradouro é tipicamente granítica, tipo Cidade da Calcedónia. Rochas e prados verdes pelo meio.
O miradouro da Junceda parece estar em obras (pagas pela Comunidade Europeia), mas ao mesmo tempo abandonado. Mais uma vez, a vista é soberba. Este miradouro fica do lado oeste relativamente à Vila do Gerês, a qual se vê em toda a extensão. Pelas rochas deste miradouro abundam as lagartixas, que aproveitam o calor do final do dia. Dada a hora tardia e, se calhar, a dificuldade em lá chegar, éramos os únicos visitantes a gozar do "silêncio" da floresta, apenas quebrado pelo canto de um cuco a fazer cu-cu.
No regresso, e já na descida para Covide ainda tive tempo (finalmente) de filmar o voo de uma ave de rapina, que, logo que tenha tempo, colocarei neste blog.
Observar aves de rapina é um dos prazeres que me dá. A Graça já não acha tanta piada a isso, mas não evita apanhar umas secas de vez em quando. Não é que eu perceba muito do assunto, apesar de já conseguir saber quando são abutres ou não. Mas ver aqueles animais em plena liberdade, lá no alto, é mesmo delicioso. É pena o que os espera cá em baixo. Fico mesmo de coração nas mãos quando leio notícias da morte destes animais pelo método mais cobarde e traiçoeiro - o envenenamento. Uma notícia que me deixou muito triste foi a de o macho do último casal de águia-real na Serra do Gerês ter aparecido morto. Isto, creio que foi há dois ou três anos.
Bons sítios onde já tive oportunidade de fazer filmagens (amadoras, claro!) interessantes: El Rocio (Doñana), Vale do Ebro (perto de Burgos), Parque Nacional de Monfrague (Cáceres) e Penedo Durão (Freixo de Espada à Cinta).
O regresso a Lisboa, fez-se pela estrada que passa em São Bento da Porta Aberta, junto à albufeira do Cávado. Aproveitámos para jantar numa pequeno restaurante tipo churrasqueira e não nos arrependemos.
As últimas fotos foram feitas com a pouca luz do final do dia, espelhada na água e nas silhuetas daquelas montanhas que encerram, provavelmente, a natureza mais selvagem de Portugal. Este fim-de-semana foi só um aperitivo, pois prometemos voltar.